20170508

Três séries

I.


Grace & Frankie é uma das séries mais gostosas que eu já vi na vida. Pra começar, tem as fodásticas Jane Fonda e Lily Tomlin (parêntese relevante: as duas já trabalharam com a Lindsay). Esta nova temporada, além de ser tão engraçada quanto as duas primeiras (eu não esperaria menos de Marta Kauffman, que co-produz a série), é um passo importante na vida de Grace e Frankie: elas finalmente saem do armário e assumem que são melhores amigas. É muito bonitinha essa terceira temporada, tem tudo aquilo que a gente gosta em comédias dramáticas (ou seja, comédia e drama. Zuera. A série é, acima de qualquer coisa, uma boa história sendo contada por bons atores através de bons diálogos: o segredo do sucesso). Recomendo fortemente.


II.

Esses tempos atrás vi a tal da 13 Reasons Why, que foi um furorzinho nas redes sociais, e devo dizer que achei bem da hora. Difícil de assistir, indigesta até o último segundo, mas importante. Talvez o mundo tenha se transformado tão rápido nos últimos vinte anos que a gente nem percebeu como a crueldade adolescente, carinhosamente chamada de bullying, tomou formas mais sofisticadas e perigosas por conta do uso constante das redes sociais (que são hoje coisas totalmente diferentes do que eram quando eu era adolescente), então acompanhar e discutir a triste trajetória de Hannah Baker me parece algo necessário. Chorei litros depois do último episódio e nunca mais verei essa série de novo (claro que verei a segunda temporada, que já foi confirmada pelo Netflix, mas não verei a primeira de novo jamais), principalmente por causa daquela cena (se você viu a série, sabe de qual estou falando), que é linda de tão horrorosa. Mas, se você me perguntar, eu diria que 13 Reasons Why tem, sim, que ser assistida.


III.

Comecei a assistir Game of Thrones semana passada. Estou na terceira temporada e estou gostando. Não estou adorando, porque não sei como adorar uma série em que a personagem principal é a estupidez humana, mas a produção é de fato espetacular. Comecei, ao mesmo tempo, a ler o primeiro livro da série de George R. R. Martin, e também estou gostando. Um prodígio da imaginação, essa história caudalosa de vastos territórios e inúmeros personagens. O livro tem me ajudado a decorar o nome da galera (se bem que meus amigos já disseram que nem vale a pena decorar nomes, porque a galera morre como moscas de banana: já ouviram falar da chocante média de 4,5 mortes por episódio?), mas ainda não consegui entender um fato fundamental: por que cacetes todo mundo nessa série quer tanto ser rei? O pessoal marcha por meses e meses em péssimas condições de higiene e segurança pra tretar com uma outra galera que também está marchando em condições iguais, se não piores, e então todos têm mortes horríveis. Fico desesperada pensando: gente, esse tanto de terra em que vocês estão marchando pra ir tretar, por que vocês não sentam por aí, acendem uma fogueira, tocam umas modas medievais na viola e ficam felizes? Eu sei, eu sei que o ser humano não consegue simplesmente parar de encher o saco. Mas é que em Game of Thrones todo mundo parece ser especialmente talentoso na arte de ser cuzão. Não tá fácil.