20170526

Três notas levemente preocupadas

I.

Então, este ano eu tenho que prestar o CPE. Já faz um ano que eu concluí meu curso preparatório da Cultura, mas ainda não tive coragem de sentar pra fazer a prova, porque quem já fez o CPE sabe que o negócio é tenso. O problema é que eu não consigo me concentrar pra estudar. Não consigo, por nada. (Boto um pouco da culpa na minha professora Jeane da terceira série, que me deu um C em matemática, certa vez. Minha mãe me deu bronca, e eu me bloqueei para os estudos desde então.) Tem trinta memes que eu preciso ver antes de estudar, cinquenta vídeos, trezentas fotos. Até postar no blog eu posto antes de estudar. Daí o que eu fiz foi desinstalar meus apps de redes sociais, mas não adiantou muito, porque continuo tendo email e Whatsapp. E Netflix e Kindle.


II.

Falando em Kindle. Mano, eu não sei se foi uma boa ideia isso de descolar um Kindle. Eu nunca tive autocontrole no que diz respeito a comprar e estocar livros, como uma breve visita ao meu apartamento abarrotado de volumes pode atestar. Moro num apê de 60 metros quadrados e tenho mais de 800 livros. Já não cabem em canto nenhum. Achei que, tendo um Kindle, meu problema diminuiria. Acontece que é ainda mais fácil comprar livros no Kindle. Basta um cartão de crédito e um clique. Então agora estou abarrotando meu Kindle de leituras atrasadas (olha hoje, por exemplo: estou relendo o maravilhoso Breve história de quase tudo, do Bill Bryson, como faço todo ano ímpar, então me deu vontade de ler Michio Kaku; baixei um livro, o que me direcionou a promoções de edições brasileiras do Stephen Hawking: comprei mais dois. Comecei a ler todos de uma vez, maravilhada, mas minha pilha segue aumentando -- estou com mais de 30 livros em andamento -- e o CPE não vai esperar eu terminar as pendências, tenho certeza).


III.

Falando em Netflix. Ontem terminei de ver a terceira temporada de Unbreakable Kimmy Schmidt, a série mais engraçada e babaca da história. É tipo entrar na cabeça da Tina Fey em um rolê muito bêbado. Os atores mandam muito bem, a Ellie Kemper é hilária. E nem vou falar do Titus, diva suprema. E tem a Lilian, que eu sempre chamarei na minha cabeça de Mrs Bagoli (por causa de Confessions of a teenage drama queen, com a Lindsay. Aliás, eu tenho uma teoria: todo filme ou série que você assistir tem uma conexão de no máximo 2 graus com a Lindsay: ela já trabalhou com todo mundo. Pode testar. Por exemplo, aleatoriamente: sei lá, O senhor dos anéis: ela fez parzinho romântico com o Elijah Wood em Bobby, filme dirigido por Emílio Estevez, que é filho de Martin Sheen e irmão de Charlie Sheen, que por sua vez já trabalhou ele mesmo num filme com a Lindsay. Julia Roberts: a Lindsay já foi dirigida pelo Garry Marshall, que dirigiu Pretty Woman. Ela já foi filha da Meryl em filme dirigido pelo Robert Altman, do Michael Keaton, da Jamie Lee Curtis, até do Dennis Quaid. Jane Fonda já foi coadjuvante dela, for God's sake. E ela foi uma criança Disney, então até com a Elsa e a Branca de Neve dá pra fazer conexão. Comecei a nota falando de Kimmy Schmidt: Tina Fey, produtora da série, foi coadjuvante da Lindsay no melhor filme da história, Mean girls, claro. I could go on for hours. Acabei de lembrar que eu amo a Lindsay, o que me leva à minha segunda teoria: ela precisa fazer um filme do Woody Allen baseado nela mesma. Precisa ser do Woody Allen e precisa ser sobre a vida dela. Disney, paparazzi, rehab, Oprah etc., tudo surrealizado naquela voz mais típica dele. Esse deveria ser seu grande retorno, e ela então ganharia um Globo de Ouro, algumas premiações de sindicatos e até uma minissérie no Netflix. Um Oscar jamais, porque a Academia torceria o nariz e acabaria escolhendo alguma atriz talvez mais obscura mas muito competente e promissora dirigida por um também competente e promissor diretor, ou talvez simplesmente Natalie Portman ou Cate Blanchett, claro). Enfim, pode reparar: eu não consigo estudar por nada.