20170328

Hazy eyes

Quantas vezes
Ver a escorrer
Para os cantos
De onde longe
Não se recupera
Nunca mais?
Dizer que não:
Quantas vezes?
Pretty eyes,
Hazy eyes.
Construir uma casa
E acordar ao final,
Hazy eyes.
Me saber
Incongruente e
Com força de
Estrelas e
Cromossomos
Me desejar
Concorde.
Projetar a sala
E o quarto do
Filho impossível
E acordar ao final,
Hazy eyes.
Arquitetar planos
De algodão
E concreto
A cada segundo:
Coração de
Batidas alternadas,
Te quero,
Te quero mais,
Hazy eyes.
Se pudesse,
Decoraria teu corpo.
Mas escorra,
Não posso mais.

20170303

Mais um tijolo

Quando o mundo for governado
Por homens essencialmente maus
Um filhote de guepardo será o último
A experimentar a vertigem de nascer.

Ninguém se dará conta da tragédia,
Já que estarão matematicamente
Somando esta extinção às outras
Que ritmadamente, infalivelmente
Insistirão em acontecer a cada dia útil
(Essas espécies inferiores a nós
São frágeis demais para poder viver.
Não podem participar conosco
Da festa da sobrevivência
Que é também a grande batalha)

Quando o coração do império for governado
Por algum louco cheio de verdades absolutas
A mais natural das verdades absolutas
Será a inferioridade das periferias do império.
O banimento do diferente será tentado,
Incansavelmente, na forma de muros
(Cada tijolo uma pessoa ignorante de seu passado)
E, principalmente, na forma da culpa
De outras línguas, cores, visões e bandeiras
(Bandeiras: esses panos ilustrados de
Significados artificialíssimos
Serão tão mais importantes quanto mais
Louco o imperador)

Viveremos em meio a uma guerra
De profunda desinformação e nenhuma empatia
Tempos de muitos problemas alheios
(Não sou gay, mas sou contra o casamento gay
Não li Dawkins, mas quero sua morte
Não conheço a crença do vizinho, mas é falsa)
E pouca solução de problemas próprios.

Quando o mundo for governado pelo simples desejo
De possuir mais objetos, ou objetos mais novos
(Os antigos reis insanos queriam mais uma légua
De terra. Nós, reis de nossos apartamentos,
Desejamos mais uma polegada de tela?)
A vida de um guepardo será só mais uma linha
(Ou vídeo ou link ou meme ou tweet?)
Soterrada no entulho nosso de cada dia.

20170301

Oscar 2017

Foi esquisito ou não foi? Sim, mas teve emoção. Ano que vem, você certamente vai segurar o sono um pouco mais e assistir até o fim (coisa que pouca gente tem a paciência de fazer). Sinceramente, achei La La Land mais filme que Moonlight (todas aquelas coreografias e músicas e aquela cinematografia toda e as 14 indicações + mocinho + mocinha + Hollywood + nostalgia + jazz + etc me fizeram pensar que La La Land era o queridinho imbatível da temporada, mas eis que uma produção de custo baixo e temática pouco dou-ra-da leva o maior prêmio da noite). Não que Moonlight seja um filme chato, pelo contrário. Mas é menos cinemão, e achei mesmo que este seria o ano do cinemão.

Foi importante que Moonlight vencesse porque a história ali precisava muito ser contada e, mais que isso, ser ouvida. Em épocas de obscuro pensamento retrógrado (cujos praticantes preferem chamar de 'pensamento conservador' -- o que, de qualquer maneira, sempre me faz pensar: sendo a humanidade esse bicho perigoso que só sabe lidar com o diferente na base da violência, essa galera quer 'conservar' o quê?), é importantíssimo que um filme sobre um negro gay da periferia de Miami seja premiado. É imprescindível que a luta pela conscientização rebata com firmeza o atraso das hordas de ignorantes de plantão que insistem em opinar com truculência sobre as liberdades individuais alheias. Os filmaços com protagonistas negros que foram indicados este ano (além de Moonlight, temos Hidden figures e Fences) formam um belo painel do que é a resistência e do que ela tem sido desde sempre. Por isso, Moonlight levar o Oscar de melhor filme de 2017 foi a coisa mais importante que a Academia podia ter feito em termos de resistência.

Simbólico, até, o fato de que Jordan Horowitz tenha recebido o prêmio e, depois da confusão que já virou história, o tenha passado aos produtores de Moonlight. Algo assim: sim, estamos fazendo boa arte aqui com este elenco branco e bem-nutrido de dentes clareados, cinema retrô com gosto de décadas passadas, mas a sua arte, essa arte de honestidade corajosa que vem das vísceras do sofrimento humano, deverá ser premiada inclusive pelo timing (sim, Trump, Moonlight é o melhor filme que seu país produziu no ano em que você venceu as eleições surfando em seus discursos cheios de ódio). Temos que falar, urgentemente, sobre as franjas oprimidas, relegadas. Temos que dar voz aos que mais escutam merda o tempo todo, porque isso também é função da arte. Olha: toma aqui este careca.


20170213

Cinco notas

1. Terminando a segunda temporada de Mr Robot, mind-blown, mal sabendo como apreciar essa série tão milimetricamente quanto ela merece (até esta versão desta música, este filme chamado The careful massacre of the bourgeouise e esta filha da Meryl Streep a série tem, enfim).

2. Santa Clarita Diet: soccer mom but zombie. Trash, como um bom zumbi deve ser, e muito engraçado. Drew Barrymore mais linda a cada ano, figura. Seria o Netflix o novo selo Disney de qualidade? Esses dias também vi The OA e gostei bastante. Essas coisas originais do Netflix parecem muito cuidadosamente produzidas, os caras só têm dado bola dentro (falar o quê de Stranger Things e Grace & Frankie e Kimmy Schmidt?).

3. Grammy 2017, puta show. Adele abriu sozinha, ela, vestido e palco, Hello -- que mulher linda. Ed Sheeran, também sozinho, apresentou uma música nova com altos lances de loops programados e aquela voz massa dele. E teve a Beyoncé, claro. Torço muito pela Beyoncé, porque amo demais essa molier. Lady GaGa rebolando ao som do Metallica, num lance meio Alice Cooper meets bailarina do Faustão. James Hetfiled saiu correndo meio puto do palco, e acho que ele concordaria comigo: it's not that I don't like Lady GaGa, I just don't get her. Daí teve Adele fazendo uma homenagem ao George Michael, e realmente não há nada como ela no mundo, com ou sem do-over -- parem o Grammy que eu vou começar de novo esta bagaça. Adele, amor da nossa vida, você pode tudo. Lemonade ganhou melhor "urban album", whatever that means, e eu só quero dizer que Beyoncé grávida no Grammy arrasated. Bom também ver Demi Lovato maravilinda homenageando os Bee Gees com ninguém menos que Barry Gibb na plateia. Celine Dion continua classuda e veio glamurosa entregar o prêmio de canção do ano para Adele por Hello (incontestável: música onipresente em 2016, perdi as contas de quantas vezes falei "hello" e ouvi "it's me" de volta nos últimos 365 dias). James Corden apresentando, pessoa mais amada do mundo segundo o Twitter. Bruno Mars homenageando o Prince, John Legend fazendo uma versão linda de God Only Knows com uma cantora que agora esqueci o nome. Ver Adele e Beyoncé disputando em várias categorias foi como ser palmeirense e corintiana ao mesmo tempo em dia de clássico. Isso acaba com o coração da pessoa. Adele acabou levando tudo (pensa numa molier que nasceu pra ahazar) e falou coisas lindas pra Beyoncé no discurso de agradecimento. Abriu e fechou o Grammy com muita classe, talento & poder. (E foi seu milionésimo Grammy, mas ainda assim ela chorou.) Como não adorá-la? Enfim, música é um negócio fantástico e o Grammy é sempre uma mistureba da hora (porém longa, porém da hora, porém longa).

4. Agora me preparar pro Oscar. Pretendo usar um Versace para o tapete vermelho, já que usei Valentino no ano passado. Preciso dar um gás e assistir mais alguns filmes nessas próximas semanas. Vi algumas coisas só, por enquanto. Hell or high water (filmaço com Chris Pine e Jeff Bridges), o queridinho do momento La La Land, Captain Fantastic (meu preferido da temporada, com uma indicação de melhor ator a Viggo Mortensen), Florence Foster Jenkins (mais uma indicação da Meryl), ZootopiaAnimais noturnos (que achei ao mesmo tempo entediante e irritante: a pior combinação, na minha opinião). Entramos nas semanas intensivas pré-Oscar, acho massa.

5. Lendo Os inovadores, de Walter Isaacson. O primeiro capítulo é sobre Ada Lovelace, pioneira no conceito de computadores e intelectual de vida interessantíssima (filha de Lord Byron, herdou dele seu ímpeto, segundo consta; e eu não sabia, mas os dois morreram aos 36; da mãe, herdou a paixão pela matemática e a disciplina necessária para desbravá-la), cheia de seguidores. Agora estou no segundo capítulo, onde ele fala sobre Alan Turing Herman Hollerith e um monte de outros caras inteligentes. Pensando em como esses inovadores capazes de proezas do pensamento colaboraram para a realização assombrosa que é o computador moderno, por meio do qual, numa noite preguiçosa de sábado, eu posso, do sofá, com um dispositivo de 200g na mão, assistir aos vídeos maravilhosos que uma moça portuguesa, estudante de Berklee, disponibiliza no YouTube. O processo todo de sequer entender que há uma concentração quase infinita de ciência (sapiência, saber, conhecer, entender, desvendar do universo) nessa minha solitária porção de ócio me deixa fascinada. Junte-se a isso a beleza da voz da Mariana Secca, seu bom gosto e óbvio domínio teórico, além do charme tímido do seu sorriso cativante, chegando até mim através dessas redes impenetráveis de sofisticação tecnológica que me permitem no Brasil assistir a um vídeo gravado em Boston por estudantes de música vindos de todos os cantos do planeta, e a única coisa possível de se sentir é: deslumbramento (ah, essa palavra). Ouçam esta música original dela, it's been one of my favourite things in the whole world.

20170127

La La Land


Se eu acho que La La Land merece todo esse auê? Olha, gostei muito do filme. Caprichado e bonito, Emma Stone e Ryan Gosling, música e nostalgia, etc e tal. Parece ser um filme exigido pelo seu tempo, assim como Titanic, que, há vinte anos e também indicado a 14 Oscars, foi um filme que deu a seu tempo o que o seu tempo demandava. Avidamente consumido (e nem vou entrar aqui em discussões de caráter mais cético, como corporativismo no cinema americano, porque isso é, de qualquer maneira, denominador comum de, inclusive, todas as indústrias num modelo capitalista; tampouco estou falando do Oscar como selo infalível de qualidade; as premiações da Academia, contudo, podem certamente ser consideradas um termômetro possível do consumo da produção cultural), talvez tenha sido a tecnologia ou o Leonardo DiCaprio ou a ideia de uma tragédia anunciada nos tempos das grandes prepotências que tornou o filme uma das mais sólidas referências de sua década, mas fato é que Titanic não passou despercebido a ninguém que tenha vivido os anos 90.

A mão de Pierre Menard reescrevendo o Quixote de tempos em tempos: cada obra de arte que ressoa tão amplamente na cultura de uma sociedade talvez seja, muito borgeanamente, essencialmente a mesma obra. E o que isso diz sobre as 14 indicações? Talvez, que queríamos um filme com cara de musical de saudosas décadas, com gosto de jazz (de acordo com Seb, Ryan Gosling, o jazz é o mais puro tipo de música, mas uma arte agonizante, já que o desinteresse das novas gerações o condenou à extinção), um filme inocente como são inocentes os musicais (explico: um musical exige cumplicidade do espectador mais que qualquer outro gênero; mais fácil seria Ben Affleck salvar o planeta de um asteroide do que dezenas de pessoas cantarem em perfeito acordo e harmonia em cima do capô dos seus carros num viaduto em Los Angeles espontaneamente; há muita coisa em um musical que depende da candura de julgamento do público, pois, sem isso, chega a ser ridícula ou preocupante a ideia de alguém sapateando e cantando sozinho no meio da rua), um retorno aos primórdios, num ciclo clássico. Talvez La La Land, mais que um bom filme, seja uma boa pedra de toque.

Que, da nação que entronizou Donald Trump como presidente, surja um filme com ares dourados de nostalgia como grande premiado do ano é algo que me soa lógico do ponto de vista do zeitgeist americano médio (e, ainda que toda a comunidade artística tenda a se vender como progressista, há muito conservadorismo na Academia também: algo mais conservador que uma cerimônia engessada de três horas, mulheres de longo e homens de smoking, fatiada em blocos de três minutos com intervalos milionários? Nada de novo na ousadia artística, que hoje vai desde tatuar cada milímetro do corpo a mostrar os peitos no Instagram -- como se houvesse algo de particularmente ousado, do ponto de vista artístico ou antropológico, em marcar a pele ou se mostrar nu, já que rituais equivalentes podem ser verificados nas mais variadas sociedades com os mais variados significados. Com isso quero dizer: o progressismo se prostitui na esquina no conservadorismo rotineiramente).

Como tudo o que acontece em todo o território que o sol da globalização toca são tremores cujo epicentro está no império, não me parece estranho que mais esta onda reacionária seja liderada pelo coração do império, a cultura norte-americana. As 14 indicações ao Oscar de La La Land podem ser um fragmento desse fenômeno, mas é óbvio que os méritos do filme são indiscutíveis e que, entre os muitos Quixotes, é bom achar uma história de amor que converse com tanta gente: isso significa, no final das contas, que Doroteia continua sendo a princesa predestinada de Quixote e Jack continua morrendo por Rose. O amor continua sendo a maior revolução possível, o grande sonho da humanidade -- ou, é claro, a grande ilusão.

20170124

Pela janela

Pela janela do quarto entra a luz do hotel em frente
Letreiro luminoso, sacadas siamesas
Cortinas semitransparentes denunciando
Aparelhos de TV e vidas itinerantes:
Representantes comerciais, casais em férias.

Trivial e intrusa a luz do hotel recém-inaugurado
Chega a mim manifestando ardentes atividades elétricas
(No âmago das coisas essa coisa que flui).

Banhos de luz de estrelas, penso -
Pálida de tanto não ver o sol,
noites seguidas inteiras sem dormir,
Pouca comida de verdade
(Talvez nem possa usar a palavra pensar,
meu cérebro tão enfraquecido
de tanta cidade).

Amanhece lentamente no fog da insônia
Som a som
E refletindo viajante o início dos tempos,
a explosão primordial
Supernovas, bilhões e bilhões:
Intrusa e trivial, a luz.

20170122

Mr Robot







It's one thing to question your mind. It's another to question your eyes and ears. But then again, isn't it all the same? Our senses just mediocre inputs for our brain? Sure, we rely on them, trust they accurately portray the real world around us. But what if the haunting truth is they can't? That what we perceive isn't the real world at all, but just our mind's best guess? That all we really have is a garbled reality, a fuzzy picture we will never truly make out?
Elliot




20170113

Homo Deus



"No século XXI vamos criar mais ficções poderosas e mais religiões totalitárias do que em qualquer era anterior. Com a ajuda da biotecnologia e de algoritmos computacionais, essas religiões não só controlarão nossa existência minuto a minuto, como serão capazes de configurar nossos corpos, cérebros e mentes, e de criar mundos inteiramente virtuais. Ser capaz de distinguir ficção de realidade e religião de ciência ficará, portanto, mais difícil, porém mais vital do que jamais foi antes." (p. 185)

O subtítulo deste belo trabalho do historiador israelense Yuval Noah Harari é interessante: Uma breve história do amanhã. Com um poder de síntese impressionante (são 400 páginas mais apêndice na edição da Companhia das Letras), Harari retorna aos primórdios da existência do Homo sapiens e passa pelos principais eventos da nossa história evolutiva, em sentido lato, para embasar algumas predições sobre o nosso destino.

Aonde o capitalismo global, a crença inabalável no humanismo liberal, o hiperdesenvolvimento médico e tecnológico e o desacoplamento de consciência e inteligência artificial nos levarão? Mais que respostas, Harari tem perguntas muito instigantes a fazer.

Veremos uma pequena elite super rica geneticamente aperfeiçoada (talvez imortal, já que Harari descreve os organismos como algoritmos complexos que estão sendo desvendados pouco a pouco e a morte como consequência de falhas técnicas a serem superadas nos próximos séculos -- você sabia que há inclusive uma divisão do Google dedicando recursos imensos a pesquisas relacionadas à imortalidade as we speak?) nos poucos postos de trabalho altamente especializado que a inteligência artificial não terá sido capaz de ocupar? Será o dataísmo (assim como o humanismo, que preconiza o ser humano, o dataísmo é um sistema de crenças que põe no centro do universo o fluxo de dados; assim, a diferença entre o ser humano e uma batata é o fato de que nós somos capazes de processar mais dados que o delicioso tubérculo. Um insight fascinante de Harari: o capitalismo saiu vitorioso das guerras ideológicas do século XX porque foi capaz de processar dados de maneira mais eficiente que sua alternativa à esquerda, já que numa sociedade capitalista a informação é capaz de fluir de maneira livre e descentralizada) a filosofia última do Homo sapiens, aquela que fará a transição dos nossos seres animais ao fluxo de informação do universo? E, o que me parece a maior indagação desse livro de indagações: estaremos criando um mundo que não terá espaço para nós?

A linha de raciocínio de Harari é clara e, como é um grande pensador, não há em seu livro alarmismos baratos. Difícil, contudo, não ficarmos apreensivos quanto aos nossos possíveis futuros, quando paramos para pensar sobre isso.

20170101

Melhores de 2016

Livros

1. Ensaios e anseios crípticos (Paulo Leminski)
2. Por que o mundo existe? (Jim Holt)
3. Steve Jobs (Walter Isaacson)
4. Barba ensopada de sangue (Daniel Galera)
5. As entrevistas da Paris Review, vol. 1

Outros ótimos: Primeira poesia (Borges), Lou Reed: Transformer (Victor Bockris), Ariel (Sylvia Plath), Minha luta 1: A morte do pai (Karl Ove Knausgard), Entre o sangue a as letras (conversas entre Ernesto Sabato e Carlos Catania), Vozes de Tchernóbil (Svetlana Aleksiévitch), Cortázar: notas para uma biografia (Julio Cortázar).


Filmes

1. Captain Fantastic (Matt Ross, 2016)
2. The Martian (Ridley Scott, 2015)
3. Inside Out (Peter Docter, Ronaldo Del Carmen, 2015)
4. The hateful eight (Quentin Tarantino, 2015)
5. Begin again (John Carney, 2013)

Outros ótimos: Florence Foster Jenkins (Stephen Frears, 2016), Spotlight (Thomas McCarthy, 2015), Bridge of spies (Steven Spielberg, 2015), Now you see me 2 (Jon M. Chu, 2016), Café Society (Woody Allen, 2016), Amy (Chris King, 2015), Fantastic beasts and where to find them (David Yates, 2016), Southpaw (Antoine Fuqua, 2015).